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Entre prateleiras






Aprendi com Ela praticamente tudo o que sei sobre mulheres aos 16 anos. E vou logo dizendo que não foi muita coisa. Aprendi que, principalmente no campo amoroso, não devo fazer com elas o que não desejo que me façam. Aprendi que toda mulher merece ser mordida, chupada, lambida sem pudores, receios ou freios. Dessa forma, dizia Ela, "nunca vão te esquecer". Aprendi em Ela que nem toda mulher precisa ou quer dormir de conchinha. As vezes só querem sexo e eu tenho que deixar de lado esse machismo que tanto luto pra esconder quando encontrar uma dessas moças. Nunca consegui fazer isso...me pego impressionado quando não sou eu que vou embora num táxi às 3:00am. Com Ela, entre uma aula de Física e outra de Literatura, todas Terças e Sextas, me acostumei a trepar no banheiro feminino da escola. Um costume que até hoje, tempos de Universidade, não abandono. Foi com Ela também que aprendi da pior forma uma das verdades universais: Se você tiver uma 'queda' por alguem que dure mais de 3 meses, desespere-se: você está apaixonado. Se você contrai o maxilar envergonhado de si mesmo toda vez que se pega pensando em tal pessoa, corra.



Aprendi com Ela que quando uma Mulher diz Sim, ela quer dizer Sim. Quando diz Não, ela quer dizer Não. Ela me contou que existem fêmeas que trocam essa relação básica. "Como eu disse, apenas fêmeas". Eu que sempre quis ser um rockstar - e ainda quero - não entendia que eu não precisava ser o cara mais bonito, talentoso, saber dançar, rico ou charmoso para conseguir uma mulher. Ela me avisou que bastava ser engraçado nas horas certas, abrir potes de azeitonas, ser sincero e claro, chupá-las. Ela me iludia dizendo que os livros e filmes nos quais eu me entrincheirava ainda iam me ajudar nesses campos e assuntos. Podia estar errada... Depois dEla aprendi que juras de amor embriagadas, pactos de sangue ou contratos assinados não impedem que relações que pareciam ser eternas se desfaçam com aquilo que acontece sem a gente perceber: a vida.



Relembro tudo isso por que ontem encontrei Ela na fila do Supermercado. Olhei pro lado e lá estava, toda sorrisos, me encarando, aliança de noivado no dedo, graduada, channel e mais linda do que nunca. Depois de 3 anos e com a surpresa do encontro, passamos horas entre prateleiras de miojos e Doritos conversando, lembrando. Ela desliga o telefone pra não incomodarem, eu esqueço o que vim comprar. Ela chora um choro contido, daqueles em que toda fibra do seu corpo se empenha em esconder quando eu digo, com toda a sinceridade, que ela foi a que mais me marcou e que até hoje, independente de todas que tenham passado por mim ela sempre vai ter um lugar iluminado no meu coração. "E pode estar parecendo, mas apesar disso eu não espero que tu deixe sua vida atual pra tentar algo novamente com o namorado da adolescência". Ela concordou e disse que nunca faria isso mesmo. Eu, egoísta que sou, perguntei por que ela estava com esse cara, afinal no nosso tempo Ela dizia não acreditar na instituição chamada Casamento: "Por que com ele eu sinto o que nunca senti contigo ou com qualquer outro que conheci depois. Com ele sinto algo que me parece uma espécie de Segurança. Me sinto segura, dona de uma situação confortável. Admito que nunca houve aquela paixão toda de adolescente, aquele tesão que eu tinha contigo. Mesmo assim é o melhor pra mim. É uma escolha minha. Sabe, não se ofende, mas pelo que te conheço, pelo que vejo agora, você não mudou muito. Te olho e vejo o impulso, a intensidade, a completude e nenhuma preocupação. Tu ainda encanta e intriga! Sei que aquelas que ficam contigo podem reclamar de tudo, menos que foi um tempo perdido. Mas, cara, eu vejo tudo isso menos a Segurança. Segurança que me diz que tu não vai embora no mês que vem."


Ela ficaria feliz se soubesse que errou dessa vez...que sim, há mudanças.



"Era uma boa mulher. Eu tinha de me endireitar. Um homem 
só precisa de um monte de mulher quando nenhuma delas 
presta. Um homem pode acabar perdendo a identidade de 
tanto galinhar." 
(Charles Bukowski)








Oi, filha





                                                                                                    Barcelona, 22 de Abril e 2006


Oi, filha.

Mari, desculpa responder tua carta só agora, depois de tanto tempo. A mãe aqui ta trabalhando muito e está tudo tão estressante com a turnê... Mas enfim, consegui ler o seu último post no blog e confesso que não acreditava que você pudesse escrever coisas tão sensíveis e tocantes. Tão jovem e tão sábia! Realmente tenho muito orgulho da filha que criei e aposto que seu pai também acha isso.

Então Mari, seu avó me ligou e comentou que você perguntou a versão dele de como eu conheci seu pai e por quê ele foi embora. Talvez seja a hora de você saber da minha versão. Não garanto que seja uma historia 100% feliz, mas é uma boa história.

Eu era um pouco mais velha do que você é agora quando conheci o JP - esse era o apelido do seu pai; eu namorava outro rapaz quando nos conhecemos e por algum motivo teu pai me chamou atenção. Naquela época haviam jovens muito mais interessantes do que hoje em dia. Eu era uma menina muito comum sabe, tão rasa, só ouvia Roberto Carlos e aquela tal de Jovem Guarda...Mas o João vivia ouvindo Joplin, Hendrix, lendo Tolstoi, Orwell e até Jane Austen. Totalmente diferente dos rapazes com quem eu saía e foi isso que me cativou. Não era um moço bonito, nem popular, nem muito talentoso. Ele era como o George Harrison, sabe? Não era gênio incompreendido como Lennon, nem o Sr. Bom Moço igual ao Paul, muito menos o loser tipo Ringo. Ele só tinha aquele ar de mistério inofensivo, carinhoso e sensível do George. Certeza que você puxou isso dele.

Até hoje não sei o que ele viu em mim naquela época, mas acabamos namorando. Aprendi tanta coisa com ele, Mari. Ele me sofisticou, me ensinou a ter senso crítico sobre as coisas. Teus avós o adoravam! Achavam que ele era o melhor marido que eu poderia querer - nunca souberam que aprendi com ele a fumar maconha! Mas estavam certos. Entre namoro e o nosso casamento passaram 4 anos. Anos que me fizeram tão bem! Foi ele que me ensinou e mostrou tanta coisa nova. Coisas que nunca teria contato se continuasse a ser aquela moça comum, burguesa e que só saia com 'meninos'.

Logo depois do casamento você nasceu. Mari, tu não tem idéia do quanto teu pai te babava. O quanto ele era louco por você. Ele te colocava pra dormir toda noite cantando Strawberry Fields Forever...Como eu o amava por isso. Nunca tinha visto ele tão feliz quanto na sua festinha de 1 ano! Fomos muito felizes! Tinha uma boa família, eu já trabalhava no Ministério da Cultura e ele se esforçava pra se adequar ao trabalhabo chato no escritório do seu avô. Lembra dos almoços de domingo de ele preparava?

Porém Mari, teu pai era um espírito livre. Sei que ele não tinha outras mulheres enquanto estava comigo, mas não sei dizer exatamente o momento em que ele deixou de me amar. Acredito que só aconteceu o que sempre acontece: a vida. É difícil aprisionar os que tem asas. Da ultima vez que conversei contigo sobre a separação você disse coisas horríveis sobre ele, coisas que não são verdades. Ele te amava muito, muito, Mari. Ele pediu pra te levar quando foi morar em Brasília e claro que não deixei. Estava muito abalada, sem entender por que tinha sido abandonada sem motivo algum com uma filha de 5 anos; pensando exatamente como você pensa hoje. Continuei o amando mesmo depois que me deixou e amo até hoje. E admita que ele nunca te deixou na mão ou foi um pai ausente, apesar da distância.

Hoje entendo que a gente pode sim, do nada, não querer mais o que se tem. E que pessoas não são feitas para ser anexadas a outras. Foi por isso que te emancipei quando  fizeste 16. Por que eu quero que sejas livre, assim como seu pai foi, que caminhe com as próprias pernas mas sabendo de tens a mim e a teus avós como porto seguro. Essa foi a principal lição que tirei do João. Seja livre pra ser a pessoa de bem que és. Pessoas não possuem nem prendem pessoas.

Hoje, quase 2 anos depois que jogamos as cinzas dele na lagoa, queria que você apagasse qualquer mágoa que ainda houver no seu coração. Seu pai foi a melhor coisa que me aconteceu.


Nos vemos no Natal,

Beijos da mãe.




p.s. sua namorada é linda!!

bjonega


 * por Douglas Beltrão



keira knightley - Last Night (2011)

natalie portman - Closer (2004)


dá para misturar as duas e embalar pra viagem?

Ela Volátil

*por Douglas Beltrão


E vamos parar com essa conversación?! Não tiene sentido mais. Melhor fugir deixando uma lembrança buena, um postal numa gaveta, uma calcinha furada debajo de la cama, uma fotografia impressa naquela HP Color DeskJet 5550 – cualquier coisinha que depois de algum tempo, depois que toda confusión estiver longe, a gente possa mirar e sorrir, mesmo sem saber direito por quê. Ok?

Caio Fernando Abreu escreveu algo parecido. Isso não é nada original. Então, como eu te dizia, outro dia eu tava com meu violão tendando me convencer que ainda sei tocar alguma coisa e me veio o seguinte pensamento: Se o Pinóquio dissesse que o nariz dele vai crescer agora, o que aconteceria?

Tu nunca conseguiu tocar la guitarra.

Ah, vai dizer que não é um paradoxo interessante?! Igual ao pato Donald se enrolar na toalha depois do banho. Ele já não usa calças mesmo! E o Bob Esponja tomando banho com aquela espuma toda com o Gary?!

Você habla muito sobre nada. Não me deixa hablar também, nunca pergunta minha opinião. Corazón, deixa te explicar, eu estava conversando com meu amigo Rubem Alves e ele me disse: A gente ama não é una persona que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.
Você ainda me chama de coração.

Pero no quiere dizer nada más.

Lembra quando eu disse que era caidinho por você?

Claro que sí: num torpedo de 133 caracteres.

É. Foi. (risos)

Quando foi que usted passou de nerd tímido pra um falastrão cuzão?!

Tá com raiva?

Não! Claro que não!

Ah sim, por que parece. Você tá chorando e tu só chora de raiva. Tá parecendo que teus olhos não duas tempestades de Iansã.

Iansã-quê?!

Iansã, Rainha dos raios, senhora das tempestades, Iansã ou Oyá é a única das deusas do candomblé que tem poder sobre os Eguns...deixa pra lá.

As vezes te acho tão extraño. Da onde tú tira estas coisas?!

Estranho?! Você que tem todas as estranhezas que essa relação podia ter. Lembra o que tu me falou antes de irmos pra cama pela primeira vez?

Não foi bem numa cama. Foi no colchão inflável do Júlio.

Lembra ou não?!

Lembro não. Perdón.

Tu disse assim: Agenor, você necesidad de tirar essa barba. Elas fazem mal para minhas pernas. Eu perguntei se arranhavam muito e você disse que não. Era por que elas se abriam muito facilmente.

Eu era uma puta. (risos)

Enfim, é melhor você ver esse vídeo aqui pra a gente acabar com esse clima chato. 

....

Isso sim que é um TecnoBregaFunkEletroTrend estiloso. (risos) O que achou?

Bueno.

Então tá. Acho que ficamos assim. A gente se encontra por aí.

Sim, sim. Me desculpa?

Não tem do que se desculpar. Depois passa lá em casa pra pegar o que sobrou. Teus livros, os discos dos Beatles e do Noel.


Bien, então.

Rita, só mais uma coisa: Eu vou ficar bem, não se preocupa. As cidades, como as pessoas ocasionais e os apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas.

Adiós.

PostGiganteSobreDesilusões

*por Douglas Beltrão
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-[non-sense: ON] [black_humor: ON] [haters gonna hate]
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Meus caros, sempre pensei pela contra-mão e me interessei pelo desinteressante/estranho. Postos estes fatos à luz do conhecimento, o por quê de me apaixonar pelo inalcançável pode ser justificado. Ou não.

O meu primeiro amor foi uma coroa BAD-ASS! Quando a conheci era uma louca e mãe de um garoto mais velho que eu. O nome dela era Sarah Connor. Mãe de John Connor, líder da Resistência Humana contra a SkyNet. O ano era 1995, e naquela VHS semi mofada, gravada de uma Tela Quente, eu tinha a minha cópia do Extermiador do Futuro 2: O Julgamento Final, lançado 5 anos antes. Linda Hamilton fazia a mulher mas fodástica que encontrei até hoje /FATO. Pra ser sincero era um misto de admiração e medo. Apesar de um amor puro e ingênuo, afinal eu devia ter uns 6 anos, não duramos muito tempo. A diferença de idade era exorbitante e meus pais gostariam que eu chegasse pelo menos até a 5ª série sem uma desilusão amorosa. Além disso, como eu poderia competir com um soldado enviado do futuro pra proteger e fazer um filho na Linda, enquanto eu dormia as 20:30h todo dia depois de uma papinha de maizena?

O tempo passou e eu amadureci. Decidi me envolver com moças mas novas. Foi aí que em um sábado de 1996 conheci aquela que iria e viria na minha vida por muitos anos. O nome dela era Mathilda. O filme era "O Profissional" de Luc Besson, com Jean Reno e, naquele momento, a futura mãe de minha prole, Natalie Portman. Novamente: Natalie Portman. Watson, um garoto de 6 anos não tem a fibra necessária para lidar com uma garota daquela. Mathilda era uma má companhia pra mim, eu fui avisado por meus colegas do primário. Porém, sempre gostei do que não é saudável. E uma menina de 12 anos que é viúva de um matador profissional, definitivamente não seria uma boa nora. Não me importei com isso e mantive um relacionamento muito duradouro com ela. Éramos felizes. Ela trabalhava com caras mais interessantes que eu como Al Pacino, Tim Burton e Robert De Niro, enquanto eu lia gibis do Espetacular Homem-Aranha. Foi aí que em 1999 ela conheceu George Lucas. Esse velho levou minha Mathilda para as estrelas...Para viver a mãe do Luke Skywalker em Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma. Era muita coisa para um casal como nós. Era...era Star Wars, cara!! Ela já não tinha muito tempo/afeto pra mim e nos separamos por um tempo, afinal, é difícil aprisionar os que tem asas. O destino nos juntaria novamente.

Sabe quem me ajudou a superar isso? As manhãs de sábado da Globo. Na verdade, foi a Joey Potter de Dawson's Creek. Tem coisa mais simpática que Katie Holmes em um barquinho num final de tarde do verão americano? Foi ela quem cuidou de mim, me ajudou a crescer, a me intelectualizar. Aprendi muito com ela e contraí da mesma, esta indecisão que me acompanha até hoje. Enfim, ela cuidou de minhas feridas. Só que também cansou de se prender a mim. Eu só queria continuar ali com ela, naquela enseada. Tipo...pra sempre. Mas ela teve que escolher entre mim, o Dawson e o Pacey. Esse último se deu melhor. Voltei pra casa pra recomeçar sem nenhum ressentimento, estranho isso.

Depois deste relacionamento tão lindo, conheci aquela francesa que quebrou as sombras de meu coração como um creme brulée. Amelie. A coisa mais doce que conheci em toda minha vida. PONTO. Um namoro tranquilo e sutil, tivemos. Sem aquelas modernidades e loucuras atraentes das francesinhas. Uma coisa sublime.

No auge disso tudo, na plenitude de nosso fabuloso destino, quando Audrey Tattou volta das gravações de Eterno Amor, Natalie derruba as prateleiras da locadora como Alice em Closer. Ela colocou aquela peruca rosa, apontou o dedo para minha face magra e acnosa e disse: "Hello, stranger." Só bastou isso. Amelie até hoje não suspeita que as viagens que fiz foi para visitar o set de V de Vingança com Nat. Mais uma vez ela brincou comigo. E dessa vez foi comigo e com o maconheiro do Gael Garcia Bernal. Ao mesmo tempo! Isso não pude suportar. Fiquei sem rumo. Tentei voltar com a Audrey mas o Tom Hanks não deixava eu chegar perto dela por conta do Código Da Vinci. Decidi chutar o balde.

Comi a Keira Knightley depois de "Simplesmente Amor" e sem "Orgulho e Preconceito", furei os zóios do Homem-Aranha com a Kristen Dunst, neguei meu coração à Nicole Kidman depois de "Moulin Rouge" - me arrependo disso, dei trela para os peitos de Scarlett Johansson mas rolou uns "Encontros e Desencontros". E quando vi que Winona Ryder era uma furada eu saltei fora, apesar de achar ela uma coroa digna de nota. Conheci a Rachel Weisz, mas ela disse na minha cara que eu era muito novo e irresponsável pra ela. Um amor não correspondido, vocês podem ver.

Aí, depois de tanto tempo, tantas voltas e desordem, encontrei minha atual companheira: Audrey Hepburn. Sem. Comentários. De um maneira estranha, a estrada que começou lá com Linda Hamilton me trouxe à uma diva do cinema, o ser humano mais bonito de todos o Multi Universos. Estamos vivendo o que considero a plenitude. Definitivamente, she's got me. Tudo que se pode desejar de uma mulher, encontramos nela. Toda a classe e elegancia, a beleza, bondade e inteligência...Embaixadora da UNICEF, oscar de Melhor Atriz por A Princesa e o Plebeu, uma lady! E sabe por que estou tão confiante nessa relação e ao mesmo tempo com medo? Não é por que ela morreu em 1993, mas por que Natalie Portman me veio com Cisne Negro. O que vou fazer agora? Onde isso vai acabar Mathilda? Vai acabar? Bitch!

Da cor do âmbar



* por Douglas Beltrão


Âmbar. Os olhos dela eram/são da cor do âmbar.

No trabalho, nada que venha de um monitor me faz rir genuinamente. Quer dizer, até ontem isso era verdade. Fui pego de surpresa. Sem esperar, Âmbar volta do nada da forma menos imaginável. Ela saltou com um comentário simples que fez saltar um sorriso abobado no meu rosto semi-inespressível. Ganhei o resto de Outubro.

Foi pensando nesse dia que escrevi, quase um ano atrás, o seguinte:
"Se nos separamos por desavenças, veja bem, há tempo de rasgar e tempo de costurar (...) Por mais que as desavenças tenham sido por tua causa, ou não, por mais que as palavras que te foram ditas ainda machuquem, por mais que desculpas não tenham servido...ainda assim pode haver volta. "Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente"

Se o tempo chegou, aqui. Se não, também aqui. Arremata agora, ou não.

Mas, pelo menos, deixa eu fazer uma pequena introdução -> Companheiro, Algo Lá de Cima não me perdoaria se eu resistisse a uma moça com aqueles olhos, aquela corrente no bolso, a munhequeira no punho, All-Star todo xadrezinho pintado com uma caneta Bic azul e outra Compaq preta e que não trocava o silêncio inteligentíssimo por qualquer comentário tosco. Sem falar da docura e simplicidade daqueles que acreditam que o punk não morreu. Sim eu sei, é apaixonante. Ai, ai... Mas ela era de outro. Se FÓDEU. KKKKKKKKKK... toma mané. Pára de se derreter no teclado.

Enfim, este sou eu devaneando sobre a felicidade. Dá um desconto, afinal estamos ouvindo 'Zóio de Lula' do Charlie Brown acústico. A propósito, esse acústico MTV é o melhor CD dos caras. Olha eu me perdendo DE NOVO! FOCO!

Provavelmente ela nem é a mesma que conheci anos atrás. O que é bom, não acham?! Ninguém precisa de uma âncora que te prenda 4 anos no passado. Vai ver, ela se tornou comum como as demais (NÃO!). Vai ver, ela nem entenderia o porque disto tudo...

Por mim, nunca teria saído de perto daqueles olhos. Mas, assim como os encontros, os desencontros e desentendimentos são inevitáveis. Éramos muito, muito, muito jovens (não que sejamos velhos agora), e isso é sim uma desculpa pra o que quer que tenha ocorrido. 'Ocorrido' este que eu sinceramente nem lembro o que foi. Prefiro guardar nos ventrículos só as melhores coisas. E se ela já me fez bem, o riso lá do primeiro parágrafo, entre tantos outros, foi uma das coisas mais lindas.


Certeza, Summer?


Não.






Digníssimo leitor, eu lhe pergunto: Qual o problema de ficar só em casa num sábado à noite? Qual o problema de não ter um(a) namorado(a) e não procurar por um(a)? E qual o problema de preferir assistir um filme sozinho? Qual o problema de se programar pra ficar só em casa lendo e organizando as coisas da faculdade/trabalho? E por que cargas d'água existem seres que sentem uma coceira nos partes intimas e safadórias quando não saem de casa pra ver gente? Por que não aguentam ficar só? Por que, por quê, porque, porquêêêêê??

Veja bem Caro Wilson, não é do 'ser só' que me refiro aqui, isto é deprimente e digno de pena, mas sim, do 'estar só'. Levando em consideração que todos não nasceram grudados em ninguém, como alguém no meio desse 'todos' não consegue viver um final de semana sozinho em casa sem reclamar desta situação? Deve haver uma necessidade extrema de contacto com outros humanos ou um medo medonho de ficar só, olhar pra dentro e perceber que o som não se propaga no vácuo. Ou melhor, há uma depêndencia dos que estão em volta por que, afinal, seria você tão superficial a ponto de ter que 'coexistir' pra 'existir'? Eu acho que essa galera nunca viu um cavalo ser parido. Sabe como é? Eles são cagados e 10 minutos depois estão trotando. Isso se chama independência.

Mas vão me dizer: 'Ah, mas não fomos feitos pra ficarmos sozinhos'. Nem sempre. 'Ah, mas temos que viver com alguém, isso nos faz bem'. Nem sempre. Nasce só, cresce só. Estar ao lado de alguém só torna esse processo todo de envelhecer e acumular experiências mais agradável. Sem nunca, NUNCA, depender de alguém pra se divertir ou dar sentido a um final de semana.

Entretanto, na maioria das minhas melhores lembranças, eu nunca estive só. E alguém irá me acusar de ter acabado de me contradizer.

Enfim, só são opiniões e perguntas de um cara que prefere ir ao cinema sozinho pra não se distrair com quem está ao lado. E dessa vez eu nem quero que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês.

Da Raiva

* por Douglas Beltrão

Posso ser chamado de louco mas acho legal sentir raiva. Na verdade gosto da sensação da adrenalina que fica depois de um acesso de raiva. Ok, poderia sentir isso pulando de pára-quedas ou ficando no meio de um tiroteio, mas como não pretendo me arriscar entre a vida e morte eu fico com a raiva.

Deixa explicar melhor. A raiva é a segunda emoção mais comum entre nós, bípedes mega racionais. Ficando só atrás do medo, o qual sentimos pelas mais diversas situações (o que me lembra que conheço alguém que tem medo de borboleta ¬¬). Já a raiva, na maioria das vezes, vem de uma inquietação diante a noção de perigo real ou imaginário ou quando sentimos que nosso poder pessoal pode ser abalado quando posto a prova.

Vê só: o baixo nível de serotonina faz com que pessoas agressivas apresentem baixa atividade dos lobos centrais do cérebro, responsáveis pelo bom senso e a inibição de atitudes impulsivas. Uma prova parcial disso é dada pela constatação da dificuldade cerebral ou de inteligência nas pessoas cuja personalidade é caracterizada por seu mau humor e pela raiva. Traduzindo: o cara quando fica puto fica burro e cego. Sem contar que liberamos adrenalina a qual comprime os vasos cardíacos dando chance pra gente ter um troço e nos deixando doidão.

Viremos a mesa. Podia falar da raiva que me provocam ou da que te provocam. Que tal da raiva que provocamos?! Ah, vai, diz que nunca fizesse merda e emputesseu alguém? Diz que nunca viu teus pais com raiva de você ou a namorada se segurando pra não te bater?!

Do alto da minha graaaaaande experiência, acredito que raiva paterna você ganha fácil, fácil quando não pensa em ter responsabilidade com teu futuro. Se eles vivem te cobrando boas notas, dedicação num cursinho pra entrar na faculdade ou pra passar num concurso e tu nem liga pra isso, cara, um dia vai ficar muito ruim pro teu lado.

Geralmente a raiva vem acompanhada da decepção. No caso dos pais isso é bem mais freqüente. Filhos são cobrados a toda hora por eles. Exigem maturidade de crianças e responsabilidade de irresponsáveis. Quando não conseguem, disfarçam a raiva com uma pura decepção. 'Nós te amamos e nunca vamos sentir raiva de você'...mentira. Se tu fica em casa o dia todo sem fazer nada de útil, vagabundo, eles tão te vendo e um dia vão descontar de uma vez toda a raiva e frustração acumulada. Se você, depois de grande, ainda só pensa em festar e relaxar, espera só...pais decepcionados são pilhas de raiva prontas pra estourar a qualquer momento. Lógico, isso quando eles te querem o melhor e pensam no teu futuro por ti. Eu preferia a decepção à falta de preocupação e indiferença...=S

Já a raiva do parceiro vai no mesmo estilo. Só que aqui a gente amplia pra diversos outros tipos. Ciúme da atual com o ex (o que não deixa de ser raiva), raiva daquele que não te leva a sério e te enrola, daquela que te enfeitou a cabeça bonito, raiva de quando se é trocada... Chifrou? Enrolou? Você já deve ter causado algo assim a alguém. Saiba que esse alguém em algum momento de sua fúria te desejou o que há de pior. Durma com isso ou nem ligue. Nem todos têm consideração pelas conseqüências de seus atos nos outros, certo? Já vi pessoas caírem de cama, passarem mal por conta de alguma raiva. Acredite, é foda ser a 'causa'.

No primeiro post deste blog falamos das projeções. Quando elas acabam pode ainda ser bom ou muito² ruim. Final de projeção muitas vezes gera raiva. 'Ele tá ficando muito chato, não aguento as manias e brincadeiras sem graça': raiva. 'Tá muito frio, sem emoção, sem tesão, sem paciência pra ela': raiva. 'Ela fez novamente aquilo, estragou a chance que dei, não dá mais': raiva. Se te magoaram, já era. A pessoa que o fez vacilou, e se não reconheceu, xau pra ela e bejunda. Maaaas, não é tão simples assim, Watson. Dizem que raiva, decepção e mágoa são coisas que só o tempo cura. NÃO...na minha opinião o tempo nunca cura nada, ele só desloca o incurável do centro das atenções.

Dia desses senti uma raiva fr0m h311. Soquei parede, xinguei a puta que pariu, me senti o próprio Michael Douglas em Um dia de Fúria, coração a 120 e no fim de tudo me senti foi bem. Não, não foi SÓ a adrenalina do primeiro parágrafo. Percebi que sentir raiva é relativo, fazer com que ela nos afete é mais opcional ainda. De onde eu venho havia um cara que me ensinou isso: gerar raiva é ver esse sentimento crescer e no fim ser alvo do mesmo. Tudo aqui vai em ciclos. Não a cause muito menos a sinta.

p.s. Só pra ilustrar, poster de Um dia de fúria ;)

A troca, a verdade e a escova de dentes

Closer*por Douglas Beltrão

Não ache você que relacionamentos são receitas da Ana Maria. Pegue duas xícaras de admiração, uma colher de extrato de paciência e quatro arrobas do mais pur(t)o carinho. Misture tudo numa forma de coração untada com pó de safadeza e leve ao fogo a 270°. Agora é só esperar o amor inchar. Nem é! Se isso existisse teria que ser vendido nas farmácias e só com prescrição médica. Essa crença na perfeição do relacionamento é que frustra e aliena você Bridget Jones!

Ok, sem arrudeio. Não espere um relacionamento perfeito. Não espere uma companheira (o) perfeita. Isso não existe. Na boa, o que existe é a fucking beleza de viver com alguém e todas consequencias que vem de brinde. Olhe em volta. Veja a escova de dentes dela no mesmo lugar da sua, a toalha dele pendurada no seu cabide. A troca, caro Watson!

Sempre acreditei que tudo gira em torno da troca. A troca de sentimentos e experiências. A troca dos 'eus'. Esqueça o clichê que nos relacionamentos amorosos devemos ser capazes de dar sem pedir nada de volta. Isso não existe! Queremos ser retribuídos. A troca teria (veja bem, usei o verbo Ter e não, Dever) que ser justa. Enquanto ela houver bem, tá valendo. Seguramos relações assim. Agüentando, abusando, entendendo, complicando. Maaas, nem sempre o que se ganha é compatível com o que se oferece, certo? Ou, o que é pior, se ganha algo. Sempre tenha uma balança embaixo da cama pra esses casos. Quando não se recebe algo, eu garanto, alguém deve está se anulando. Então, que tal evitar o sofrimento, embaraço e choro futuro?

A troca não acaba, o que acaba é outra coisa. Freud e o comercial de chocolate disseram: "Nos apaixonamos por projeções das pessoas." Ok, bem verdade isso. Mas o que se passa quando essa projeção acaba? O que resta? Não é fácil, mas lá vai: A verdade, Amy, a verdade! E crua! O que realmente há de sincero naquele nosso objeto de paixão! A verdade é igual ao passado. Às vezes dura, amável, vergonhosa, engraçada, mas acima de tudo devemos entende-la. Se a dona verdade for suficiente pra você, parabéns dude! Acabasse de amadurecer e encontrar uma pessoa ideal.

É só viver ao lado. Não em cima ou dentro ou muito longe. Ao lado.